[[legacy_image_234606]] A voz de Santos que cobriu o milésimo gol de Pelé no Maracanã, em 1969, ficou embargada para lamentar a morte do Rei do Futebol, na última quinta-feira, aos 82 anos. O radialista Walter Dias lembra com emoção da jornada em que cobriu, com exclusividade para o rádio santista, o pênalti mais importante da história do futebol. Um feito histórico que ele atribui à "sorte" de estar na hora e no lugar certos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Sou privilegiado em poder ter transmitido, em 19 de novembro de 1969, o milésimo gol do Rei. Ele não queria fazer de pênalti. Mas "cansou" a imprensa (risos). Sai hoje? Sai amanhã? Mas ele fez, de pênalti, na segunda casa do Santos. Tivemos sorte de o Pelé ter feito o milésimo gol e estarmos presentes", afirma. A ideia de acompanhar o jogo em que saiu o milésimo gol de Pelé saiu de uma conversa entre ele e o repórter Leonardo Augusto. Com o aval da Rádio Cacique, eles seguiram para o Rio na manhã daquele dia, a bordo de um fusquinha, com verba para gasolina e lanche - sem hospedagem. A solução foi fazer um bate e volta. PênaltiMesmo sem acesso às principais cabines, privilégio das rádios paulistanas e fluminenses, Walter Dias se instalou para a transmissão do jogo. Até que, aos 33 do segundo tempo, o árbitro Manoel Amaro de Lima assinalou pênalti. Era chegada a hora de narrar um momento histórico. "Lembro do Carlos Alberto Torres, que era o capitão daquele time, reunir todos no meio-campo, inclusive Pelé. Parecia convencê-lo para cobrar o pênalti e, assim, terminasse aquela expectativa que rondava a todos há algum tempo, a medida que saiam os gols 990, 991, 992 e por aí em diante", recorda. Ele acrescenta que, quando houve a infração, ele prontamente gritou 'pênalti' e acionou Leonardo Augusto, que estava no gramado. "Tinha 65 mil pessoas naquele dia. Então, quando aconteceu o pênalti, o estádio, em uníssono, pediu para que Pelé cobrasse. O Atleta do Século 20 bateu - e o mundo parou para ver. "O Leonardo Augusto correu para pegar a palavra do Pelé. Toda a manifestação que ele fez, pedindo atenção às crianças e aos mais pobres, saiu no microfone da Cacique. Certamente, ele, lá dentro do campo, ficou até mais emocionado do que eu na cabine", admite o radialista. [[legacy_image_234607]] Viagens pelo Brasil ao lado do SantosWalter Dias lembra que, anos depois, o Grupo Tribuna, que havia adquirido a Rádio Atlântica, o contratou para chefiar a equipe de esportes da emissora, a consagrada "Equipe Fórmula 1". Foi uma oportunidade de ouro para que acompanhasse o Alvinegro pelos quatro cantos do País. E tudo graças à força do clube que consagrou a camisa 10. "Todos nós estamos tristes, mas ainda temos na memória os grandes jogos e gols. Pelé encantou o mundo. Ver isso de perto é algo que vou levar até morrer", finaliza. [[legacy_image_234608]]