Apesar da gestão petista evitar o assunto da reforma, o governo já demonstra preocupação com a Previdência (Reprodução) Com a necessidade de melhorar as contas federais, não há como ignorar a Previdência Social, cujas receitas há décadas não sustentam suas despesas. Um estudo dos pesquisadores Graziela Ansiliero e Rogério Nagamine, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em reportagem do jornal Valor, mostra que, apesar da reforma previdenciária de 2019, o sistema poderá exigir alíquotas mais altas de contribuição. Hoje, pelo regime que atende a iniciativa privada, o trabalhador já paga entre 7,5% e 14%. Para se chegar ao equilíbrio, numa perspectiva de inclusão de contribuintes hoje informais, seria necessário cobrar 25%, segundo o estudo, com um pico de 35% se considerados apenas os dados de 2009 a 2022. Aliás, trata-se de um patamar impensável que, além do impacto na renda do trabalhador, teria efeitos desastrosos no consumo, que é um dos principais motores do crescimento no País. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar da gestão petista evitar o assunto da reforma, o governo já demonstra preocupação com a Previdência. A decisão de fazer um pente-fino nos programas sociais, em parte previdenciários, conforme publicado na última sexta-feira em A Tribuna, prova que esse desequilíbrio assombra a equipe econômica. A ideia é cortar até R\$ 30 bilhões com uma varredura sobre o seguro-desemprego e Bolsa Família para identificar fraudes e, no segundo caso, beneficiários que não têm mais direito aos recursos. Mas a atenção está redobrada sobre o Benefício da Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas com deficiência pobres, cuja concessão cresceu 17,6% além da inflação no primeiro quadrimestre, sobre igual período de 2023. Os dados da Previdência são mais alarmantes quando se observa seu déficit. Em 2000, diz o Valor, a receita do regime do setor privado já era insuficiente e cobria 84,7% da despesa total. No ano passado, eram 65,9% Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a arrecadação previdenciária no ano passado equivaleu a 5,5% e seus custos, a 8,3%. Essa diferença de 2,8% é bancada por toda a sociedade. Em números absolutos, toda a seguridade social teve saldo negativo de R\$ 429 bilhões em 2023. O foco da preocupação está sobre o microempreendedor individual (MEI), que os economistas dizem que faz uma contribuição muito pequena em relação aos benefícios que terá na aposentadoria. Sob o aspecto da política, com uma classe tão numerosa e na disputa no voto a voto, não se deve esperar mudanças em relação a esse público. Mas o governo precisa pelo menos iniciar movimento mais incisivo de redução do déficit, combatendo fraudes, promessa que nunca avança. Há ainda fatores que dependem de períodos de prosperidade, como melhorar a renda do trabalhador e aumentar a formalidade com bons salários, o que depende também de ensino eficiente e de uma economia estável. O que não deve ser admitido é não se trabalhar desde já pela recuperação da receita da Previdência.