O ano de 2023 ficou marcado, na região, por grandes operações policiais (Alexsander Ferraz/AT) O ano de 2023 ficou marcado, na região, por grandes operações policiais, como a Escudo, e pelo aumento de efetivo na Operação Verão. Apesar disso, os números de furtos e roubos na Baixada Santista cresceram na comparação com 2022. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP). Conforme os dados oficiais, houve alta em quase todos os indicadores. A única exceção foi homicídio doloso, com redução de 15,3%. Nos demais, as estatísticas subiram. Os furtos foram de 29.560 casos para 31.709, salto de 7,3% em um ano. Estas ocorrências não contabilizaram subtração de veículos, pois esta modalidade é analisada separadamente. Quando somente este tipo de crime é avaliado, a elevação é ainda maior: 19,4%, pois os 3.201 episódios passaram a 3.824 em 2023. Em relação a roubos diversos, na região foi de 11.808 casos para 13.178 no ano passado, o que representa crescimento de 11,6%. Entretanto, roubos de veículos aumentaram 37,1% (de 1.012 para 1.388) e os de cargas explodiram, indo de 184, em 2022, para 548 ocorrências, ou seja, alta de 197,8%. O número de estupros teve oscilação para cima 15,4%. Por cidades Avaliando crimes patrimoniais, mas extraindo dos números as ocorrências envolvendo cargas, veículos ou roubo a bancos, seis das nove cidades da região viram seus índices subirem. Em Cubatão, por exemplo, aconteceram, no ano passado, 1.311 furtos e 404 roubos. Em 2022, foram 1.170 e 300, respectivamente. Por sua vez, Guarujá foi de 4.062 para 4.412 furtos e de 2.418 roubos para 2.954. Em São Vicente, os casos passaram de 3.990 e 2.255 a 4.654 e 2.832. Já Bertioga terminou 2023 com 1.735 furtos e 369 roubos. Um ano antes, eram contabilizados 1.419 e 351. Em Praia Grande, houve aumento expressivo de furtos, com os 6.308 de 2022 sendo superados pelas 6.864 ocorrências notificadas entre janeiro e dezembro do ano passado. Os roubos saíram dos 2.600 e chegaram a 2.879. Por fim, Santos observou os furtos crescerem, indo de 5.701 para 6.616. Aconteceu uma ligeira queda em termos de roubos (de 2.374 para 2.360). As únicas melhoras nos dois tipos de crimes se deram nos municípios que ficam ao sul. Em Mongaguá, os 2.164 furtos em 2022 viraram 1.931 casos em 2023, e os 539 roubos em 2022 desceram para 499. Ademais, Itanhaém cravou 2.931 furtos e 561 roubos em 2022, mas houve queda para 2.516 e 527 na sequência. Por fim, em Peruíbe, notou-se diminuição de 1.815 furtos para 1.670 e de 410 roubos para 354. Melhora nos indicadores Os indicadores melhoraram nos quatro primeiros meses deste ano quando comparados ao mesmo período do ano passado, destacou o comandante do CPI-6, da Polícia Militar, o coronel Rogério Nery. De fato, segundo as estatísticas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública, houve redução de incidentes violentos. Começando por roubos, conforme a secretaria, em 2023 foram contabilizadas 1.200 ocorrências. De janeiro a abril de 2024, aconteceram 962, uma diminuição de 19,8%. No mesmo período, também houve queda na quantidade de furtos. Crimes desta natureza passaram de 2.755 para 2.684, o que representa recuo de 2,6%. Entretanto, existiu alta em relação a roubos de veículos. Em abril, foram 99 delitos, quatro a mais do que no mesmo mês de 2023. Neste ano, no total, ocorreram 295 furtos de veículos. Polícia destaca: registro de B.O. facilita Evidentemente, os dados do ano passado chamam atenção, já que a própria SSP confirmou que 2023 foi um ano mais violento do que 2022. Contudo, deve-se destacar que os números podem ser ainda maiores. Isso porque existe a subnotificação de casos, impedindo que o poder público tenha um retrato completo e exato da criminalidade. Este problema foi levantado durante o fórum do projeto A Região em Pauta. Um dos convidados que abordaram o assunto foi o presidente do Sindicato dos Empregados em Edifício e Condomínios de Santos e Região, José Maria Félix. “As pessoas não se preocupam em fazer boletim de ocorrência. Depois, acham que a polícia não apareceu, mas é por conta da omissão”, declarou. A fala foi corroborada pelo secretário adjunto de Defesa e Convivência Social de Guarujá, Denis Campos. Ele citou que gestores e policiais carecem de todas as informações para nortear com mais exatidão suas ações. “O registro é fundamental, porque ajuda a orientar o planejamento de patrulhamento e o operacional”. Neste sentido, Félix repetiu que, muitas vezes, a falta de policiamento reclamada por cidadãos poderia ser atenuada se houvesse o registro de ocorrência de todos os crimes. O comandante do CPI-6, da Polícia Militar, coronel Rogério Nery, concorda: “Registrem o crime ocorrido. É extremamente necessário para mapeamento, planejamento e definição de como vamos concentrar nosso policiamento, tanto em locais quanto faixas de horário”, explicou. Ambiente urbano contribui, diz Del Bel O secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel, disse que os ambientes das cidades podem favorecer a atuação de criminosos. De acordo com ele, espaços degradados, escuros e com pouca circulação de pessoas são propícios para que crimes aconteçam. Por isso, o secretário afirmou que as gestões públicas devem, entre outras providências, cuidar bem de seus municípios. “Hoje, uma das formas mais avançadas de se fazer segurança é cuidar do ambiente da cidade. Quanto mais eu fizer o município aproveitável por parte das pessoas, mais seguro ele vai ser”, disse, apontando a zeladoria como uma solução, além da arquitetura urbana, “que melhora a qualidade de vida e a segurança”. O convidado do evento frisou, também, que trabalhar as condições locais é atuar sem a necessidade de fazer uso das forças de segurança. “Estamos falando da percepção de segurança sem falar de polícia. Isso é significativo”.