[[legacy_image_205456]] Para muitos, aprender um outro idioma é o mesmo que superar barreiras. E os obstáculos, em diversas situações, são ainda maiores a pessoas com deficiência. Contudo, graças ao trabalho de entidades e a obstinação de profissionais, é possível transpor obstáculos ainda mais altos. Este é o caso dos integrantes do curso El Español como Herramienta de Inclusión Social (O Espanhol como Ferramenta de Inclusão Social), oferecido pela Associação Casa da Esperança e Cidadania Dr. Leão de Moura, na Vila Nova, em Cubatão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nascida em 1980, a entidade atende a mais de 500 crianças e adolescentes com deficiências com ajuda médica e social totalmente gratuita. As aulas de espanhol começaram em fevereiro deste ano e a primeira turma já se formou. O slogan não poderia ser mais apropriado: soy persona com discapacidad y puedo aprender outra lengua igual que tu (sou uma pessoa com deficiência e posso aprender outro idioma igual a você). “A ideia era que os adolescentes e jovens que passam por tratamento pudessem ter um diferencial quando saíssem da Associação Casa da Esperança, considerando que, em via de regra, as oportunidades deles são tão reduzidas e pelo fato de que a eles, na grande maioria, falta chance”, explica José Rivaldo da Silva, advogado da entidade e idealizador do projeto. [[legacy_image_205457]] Nativas O projeto do curso de espanhol foi desenvolvido dentro da Casa da Esperança, com a ajuda a distância de duas mulheres nativas para as aulas presenciais. Cada uma de um país de língua hispânica: Beatriz Rosales, administradora de empresa peruana, e Grisaida Rondon, técnica de enfermagem venezuelana. As duas auxiliavam com a fonética e leituras desde Lima e Caracas, respectivamente, por intermédio do Google Meet, plataforma de comunicação por vídeo. Grisaida, por sinal, veio morar no Sul do Brasil e seguiu no projeto a distância. “Tínhamos também como monitora em aula Elaine Damasceno, professora de Educação Inclusiva, e os monitores Maicon André e Gustavo Henrique, pessoas que foram essenciais para que tivéssemos sucesso”, acrescenta José Rivaldo. Os alunos têm oportunidade de interação direta e, com isso, facilita o aprendizado do idioma. Tanto que elevou o índice de aproveitamento para 70%. “Isso apenas evidenciou o que a gente já sabia: o grande potencial que os portadores de deficiência tem”, ressalta o idealizador do projeto. Duas empresas locais patrocinaram a compra das camisetas e apostilas. Idades O curso de espanhol da Associação Casa da Esperança e Cidadania de Cubatão possui 14 vagas para jovens de 14 a 18 anos. “Abrimos exceções para idades superiores a 18 anos, desde que a pessoa demonstre que, de fato, quer aprender a língua. Os motivos são diversos, porém o maior é ter um diferencial na hora de buscar um trabalho”, afirma. A faixa de 16/17 anos é que prevalece nas aulas, ministradas aos sábados, das 9 às 11 horas. “O maior número é de meninos. Acredito que seja a questão da ativação no mercado de trabalho, bem como o fato de termos na entidade um percentual de mais de 60% dos atendidos acometidos da Síndrome do Espectro Autista”, explica José Rivaldo. Embora o projeto El Español como Herramienta de Inclusión Social continue, a entidade necessita de patrocínio, já que é totalmente voluntário. “Estamos iniciando a segunda fase do projeto com uma nova turma de 14 alunos e prosseguindo com a primeira turma, com aqueles que passaram de módulo, pois a média é 6 para passar do B1 para o B2 e, no primeiro módulo, três alunos não conseguiram a pontuação e ficaram no B1”, detalha o idealizador. A intenção é ensinar mais línguas e superar outras barreiras. “A ideia é fazer o mesmo projeto utilizando outros idiomas, tais como inglês e francês, sendo que, em cada módulo, teremos um ou dois voluntários nativos, seja presencialmente ou por meios eletrônicos, para facilitar a interação com a língua”, revela José Rivaldo. 'Dulces sueños' O sonho de André Henrique Tripoloni Soriano de Mendonça, de 17 anos, é tão alto quanto sua dedicação. E o adjetivo não é força de expressão. O jovem, que tem TEA (transtorno do espectro autista) e déficit de atenção, é um dos formados na turma de espanhol da Associação Casa da Esperança e Cidadania e deseja ser piloto de avião ou controlador de tráfego aéreo. “Para isso, tenho que saber outros idiomas. Vou focar no espanhol para, depois, ter atenção no inglês”, conta André, que está no 9º ano da Educação para Jovens e Adultos (EJA) T4 na UME 28 de Fevereiro, no Saboó, em Santos, mesmo bairro onde mora. “Também gosto de ouvir músicas latinas e veio esse gosto de aprender algo novo para mim. Escuto muitas canções e leio a apostila para recordar”, emenda, reforçando a dedicação. [[legacy_image_205458]] Para isso, o apoio da mãe Ana Paula Tripoloni é fundamental. “A tia dele apresentou o curso. Ele demonstrou interesse, mas tinha medo. Disse para ele que não tivesse e lembrei das três palavrinhas que usamos diariamente como regra nossa: posso, quero e consigo. Ele viu que isso é possível, superou e é superdedicado. Muitas vezes as pessoas fazem muros separando as pessoas entre as que são capazes e as outras que não são. E todos podem. Basta querer e acreditar, contando com o apoio da família”, conta. Emily Aureliano dos Santos, também de 17 anos, é outra formada no curso. Estudante do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Estadual Ary de Oliveira Garcia, na Vila Nova, em Cubatão, a jovem descreve o curso como importante ferramenta para o futuro, assim como André, e como valorização das pessoas com deficiência. “Sinto-me muito feliz e realizada com tudo isso. O curso mostrou que somos capazes, sim, de aprendemos as coisas, ainda que com um tempo diferente e que, aos poucos, foi obtendo resultado. Para meu futuro será bem importante no mercado de trabalho, em viagens e outras coisas. Já gostava e entendia o espanhol. O que faço agora é aprimorar”, afirma Emily. A jovem possui paralisia cerebral no nível 2. “Ando com um pouco de dificuldade e me comunico muito bem. Afetou apenas a parte motora, que seria justamente o andar. Nada do raciocínio e desenvolvimento geral foram afetados. Basicamente 20% do meu cérebro não funciona. Ele não manda sinal para minha perna, porém ando sem apoio”, descreve. PERFIL El Español como Herramienta de Inclusión Social O que é? O projeto, iniciado em fevereiro deste ano, tem como objetivo a utilização do espanhol como ferramenta de inclusão social, voltada a pessoas com deficiência e, em especial aos jovens que são assistidos pela instituição, possibilitando a eles um diferencial no mercado de trabalho e mostrando que todos são capazes. Onde? Associação Casa da Esperança e Cidadania Dr. Leão de Moura Rua XV de Novembro, 180, Vila Nova, Cubatão Contatos (13) 33611-2888, (13) 98100-1048 e juridico@acecubatao.org.br