[[legacy_image_354677]] O dito popular uma andorinha não faz verão faz total sentido em tempos de mudança de paradigmas e adoção de boas práticas, caso das premissas da agenda ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês). Cada vez mais, as empresas que adotam essas posturas cobram de sua cadeia de fornecedores e parceiros um trabalho em plena sintonia. Esse crivo, representado num processo de homologação e avaliação de fornecedores, tem ganho, nos últimos anos, elementos relativos às questões ESG. De acordo com o sócio fundador da Lanakaná Princípios Sustentáveis, Rodrigo Henriques, uma avaliação apenas legal e documental não era suficiente para identificar riscos e oportunidades na cadeia de fornecedores. “As principais organizações têm aplicado questionários ESG e realizado due diligence (diligência prévia), principalmente naqueles fornecedores classificados como críticos”, afirma. Sobre as três letras da sigla ESG, o especialista enumera alguns aspectos que são valorizados ao adequar fornecedores às práticas de ESG. No ambiental, o olhar recai sobre a redução do uso de recursos naturais, a minimização de resíduos, a adoção de energias renováveis e esforços para mitigar a poluição. No social, as organizações buscam fornecedores que demonstrem compromisso com práticas éticas de trabalho, valorizem a saúde e a segurança do trabalhador, respeito aos direitos humanos e equidade salarial. Por fim, sobre governança, o objetivo é garantir que os fornecedores não estejam envolvidos em relações comerciais desonestas, como corrupção, suborno ou exploração de mão de obra infantil ou análoga à escravidão, além de priorizar fornecedores que tenham estratégias de risco para lidar com escassez de recursos, desafios sociais, mudança climática e instabilidade política, por exemplo. “Ao avaliar os fornecedores com base nesses aspectos, as organizações podem construir cadeias de suprimentos mais sustentáveis e resilientes. As que possuem um nível alto de maturidade ESG tendem a auxiliar a sua cadeia de fornecedor na adequação das melhores práticas ESG”, explica Henriques. Ele acrescenta que os fornecedores com baixa pontuação ESG e que tenham dificuldade de se adaptar a essas novas demandas são acompanhados pelas empresas, que os auxiliam no desenvolvimento de ações. “Essas organizações permitem o acesso aos resultados das avaliações ESG, apontando as principais lacunas encontradas e as melhores práticas de mercado: fazem capacitação e treinamento, proporcionado ao fornecedor acesso à trilha de conhecimento ESG, bem como a participação e o acesso aos resultados das avaliações realizadas por auditores independentes”, pontua. Partilha de ações éticas e valiosasDo lado das empresas, a preocupação com a sintonia plena entre os elementos da cadeia de fornecedores e prestadores de serviços é recorrente. Segundo a gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil. Béatrice de Toledo Dupuy, a contratação de fornecedores passa pelo compartilhamento de boas práticas. “Consideramos os nossos fornecedores parceiros essenciais para nossas atividades e visamos a fortalecer relações de longo prazo, orientadas pela ética e pela geração de valor. Por isso, só fechamos contratos com os que compartilham dos mesmos princípios, aderindo ao nosso Código de Conduta, cumprindo as leis e nossas diretrizes relativas ao respeito aos direitos humanos. Além disso, adotamos uma série de requisitos para qualificação de fornecedores e exigências de saúde, segurança e meio ambiente, contemplando direitos humanos e intolerância ao trabalho infantil”, diz. No ano passado, ocorreu a estruturação de um processo de due diligence envolvendo as contratações e o acompanhamento dos parceiros ao longo da atuação com a Santos Brasil. “O objetivo é medir os níveis de criticidade e ter um olhar mais atento às questões ambientais, de recursos humanos, de compliance, financeiras e fiscais. Também estão previstas a adoção de sistemas cadastrais da companhia para garantir negócios com empresas qualificadas e a desativação de contratos a qualquer sinal de desvio das nossas práticas.” Ajuda ao parceiroA gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade lembra que é importante ajudar os parceiros que não são toralmente aderentes às práticas de ESG. “Ao auxiliá-los a se adequar, a empresa reduz também os seus riscos. Ajudar fornecedores a se alinharem aos princípios ESG não só é uma responsabilidade social corporativa, mas também, uma estratégia inteligente para mitigar riscos, promover a sustentabilidade e impulsionar a inovação na cadeia de suprimentos."