[[legacy_image_357913]] As empresas estão cada vez mais sintonizadas nas práticas de sustentabilidade dentro dos preceitos ESG — em inglês, environmental, social and governance, que significam ambiental, social e governança. A constatação se dá em razão do estudo Panorama ESG 2024, lançado há quase um mês pela Amcham Brasil - Câmara Americana de Comércio. A pesquisa, aplicada de 12 a 26 de março, teve participação de 687 executivos e executivas, em sua maioria de grandes e médias empresas que, juntas, são responsáveis por 651 mil empregos diretos e por um faturamento de R\$ 756 bilhões por ano. O destaque dos dados apresentados mostra um crescimento de 24 pontos percentuais na curva de adoção dessas práticas em relação ao levantamento ocorrido no ano passado. Ao todo, 71% das empresas participantes indicaram estar no estágio inicial (45%) ou avançado (26%) de implemen-tação dos preceitos ESG. “Esse crescimento significa que mais empresas estão implementando políticas e estratégias que levam em conta os impactos ambiental, social e de governança, resultando em práticas de negócios mais responsáveis e sustentáveis. Isso também reflete uma mudança cultural dentro das organizações, onde a sustentabilidade está se tornando uma parte integral da estratégia de negócios”, analisa o CEO da Amcham Brasil, Abrão Neto. A evolução, de acordo com o executivo, revela que as empresas brasileiras estão cada vez mais convencidas da importância da agenda de sustentabilidade e engajadas em trilhar esse caminho. “Por outro lado, também indica que ainda há muito por fazer. Afinal, uma parcela expressiva é de ‘adotantes iniciais’ de práticas ESG ou que ainda estão planejando como aplicar essas medidas”, pondera. Outros númerosO estudo traz outros números representativos que destacam a importância do resultado. Entre eles, o impacto positivo sobre o meio ambiente e questões sociais como principais motivadores para a adoção de práticas ESG (para 78% das empresas), fortalecimento da reputação no mercado (77%) e melhor relacionamento com stakeholders, que são pessoas ou grupos afetados pelas ações de um projeto, empresa ou negócio (63%). A dimensão social está no lugar mais alto quando se mede a importância atribuída a cada um dos pilares ESG, com 72%. A governança vem depois, com 68%, e a esfera ambiental, 66%. A dificuldade em medir resultados é o principal desafio para alcançar avanços nessa agenda (40%). A ausência de uma cultura corporativa forte de sustentabilidade aparece com 32%, e a falta de recursos financeiros e metodologia eficiente de implementação, com 30%. Considera-se que responsabilidade por liderar a agenda ESG deve estar nas mãos dos CEOs das empresas (77%), com apoio do Governo (67%). “Ou seja, o engajamento direto do topo das empresas é essencial para que essa agenda seja tratada como estratégica e deve vir acompanhada de políticas públicas de qualidade, com vistas a assegurar resultados estruturantes para o meio ambiente e para a sociedade”, argumenta Neto. Caminho longoOs resultados apresentados pelo estudo Panorama ESG 2024, lançado pela Amcham Brasil - Câmara Americana de Comércio, animaram especialistas no assunto, embora também considerem a existência de um longo caminho a percorrer. “Os dados representam um avanço considerável — o que não significa o esperado — na adoção das práticas ESG. Este crescimento pode ser atribuído a uma série de fatores. Um deles é a crescente conscientização da sociedade em relação às questões ambientais e sociais, o que tem levado as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis e responsáveis. Além disso, investidores e consumidores estão cada vez mais exigentes em relação ao comportamento ético e responsável das organizações, o que tem impulsionado o crescimento do ESG”, analisa a presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Flávia Filhorini Lepique. Professora, consultora de Governança Generativa e mentora de Liderança Regenerativa, Marcela Argollo classifica os números apresentados — 71% das empresas participantes indicaram estar no estágio de implementação dos preceitos ESG — como “encorajadores”. Porém, também analisa um ponto que merece ser corrigido. “Os componentes mais críticos são a conscientização e o engajamento da alta gestão. Tanto o board (Conselho de Administração) quanto o CEO precisam compreender a importância essencial da pauta ESG dentro da estratégia corporativa, do processo organizacional e das deliberações do conselho. Sem um compromisso genuíno e proativo da liderança — conhecido como tone at the top —, dificilmente veremos mudanças profundas e duradouras, imprescindíveis na atual conjuntura global”, explica.